Os padres assuncionistas 26ª Romaria Diocesana - COM MARIA CELEBRAMOS NOSSA HISTÓRIA
Por D. Demétrio Valentini
30/07/2010 às 00H09
Nestes dias que antecedem a romaria do domingo 15 de agosto, estamos recordando a história da Diocese. COM MARIA CELEBRAMOS NOSSA HISTÓRIA. Um dos capítulos importantes foi escrito pelos Padres Assuncionistas Holandeses.
Para avaliar seu alcance, é preciso recordar os fatos ainda antes da criação da Diocese de Jales. Nossa região era tida como o sertão, com todos os desafios que ele apresentava.
A própria cidade de São José do Rio Preto era considerada como "a boca do sertão", pois em Rio Preto já começava o sertão, desprovido de qualquer infra estrutura, tendo a "boiaderia" como trilha para os que se aventuravam a percorrer as suas distâncias.
Pois bem, quando começou o surto intenso de colonização desta vasta área no extremo noroeste do Estado de São Paulo, o bispo de Rio Preto, D. Lafayete Libânio, conseguiu a vinda de missionários holandeses, da congregação dos assuncionistas, a quem confiou o atendimento pastoral desta vasta área.
A Congregação dos Assuncionistas era muito forte na Europa, especialmente na França, onde ainda hoje editam o maior jornal católico da Europa, o "La Croix". Mas os missionários que vieram para a nossa região eram todos da Holanda, onde a congregação tinha uma província.
Vindos para cá, abraçaram com muito empenho a estruturação eclesial de nossa região, fundando comunidades, e organizando paróquias. Eles chegaram a ter mais de vinte padres trabalhando por aqui, assumindo sobretudo o eixo central da futura diocese, desde Fernandópolis, passando por Estrela, Jales e Santa Fé do Sul, mas chegando também a Santa Albetina, Palmeira, Indiaporã e Ouroeste.
Muitos nomes deles ainda estão hoje na memória do povo, sinal que marcaram época e deixaram boas recordações. Muita gente ainda lembra o Pe.Walter com sua carruagem indo a Santa Albertina, o Pe. Marcos, o Pe. Fidelis, Pe. Lauro, Pe. Edwuin, Pe. Bertoldo, Pe. Damião, Pe. Emanuel, Pe. Rafael.
Mas o Padre que mais deixou marcas de sua personalidade e de sua atuação foi certamente o Pe. José Jansen, heróico fundador de comunidades. Embalado pelo impulso da renovação eclesial proposta pelo concílio, ele não perdeu tempo, e foi logo organizando comunidades em torno da celebração do culto, empreendendo para isto um intenso trabalho de formação dos "dirigentes de culto" como eram denominados naquela época os responsáveis pela vida as comunidades. Ele soube também incentivar a cultura próprio do povo, valorizando por exemplo as "folias de reis", que faziam parte da rica tradição religiosa do povo vindo de Minas e de outras regiões do país. Dá para dizer que não existe comunidade eclesial em nossa região, que não tenha contado com a presença e o estímulo do Pe. José Jansen.
A importância dos assuncionistas para a futura diocese de Jales, se comprova por outro fato, muito significativo. Criada a nova diocese, a Igreja buscou entre os padres assuncionistas o nome do primeiro bispo, na pessoa de D. Arthur Horsthuis, que tinha sido vigário de Fernandópolis. Um depoimento importante foi colhido do Pe. Fidelis. Criada a Diocese, e nomeado o primeiro bispo, os dois foram falar com o Núncio D. Armando Lombardi. Este foi logo dizendo que estava confiando a nova diocese à congregação dos assuncionistas. Perguntado por quanto tempo, o Núncio foi taxativo: "no mínimo por 50 anos". Mal podiam imaginar as rápidas mudanças que estavam por ocorrer. Dez anos depois, D.Arthur precisou renunciar por motivos de doença, e os próprios padres assuncionistas lideraram um movimento para pedir à Igreja que fosse nomeado um padre brasileiro e diocesano, para assumir a diocese.
Mas a marca dos padres assuncionistas não se limita ao nome da padroeira, Nossa Senhora da Assunção, que eles fizeram questão de indicar. Os que ainda estão vivos, guardam sentimentos de profunda identificação com a Diocese de Jales, que continua grata a eles pelo bonito testemunho de fé que eles nos deixaram.
Próximo seguimento: O caminho da roça e o trem da história