Na sexta-feira desta semana celebramos a festa do Sagrado Coração de Jesus. Para entender o seu alcance simbólico, é precioso situá-la no contexto do ano litúrgico. Ela vem numa seqüência que a insere no âmago do mistério pascal. Esta sequência se inicia com o domingo de Pentecostes, com o qual a Igreja encerra o tempo pascal. Ao domingo de Pentecostes segue, de imediato, o domingo da Trindade, que ressalta a plenitude da verdade sobre Deus, que se revelou um mistério de comunhão de amor.
Na semana seguinte ao domingo da Trindade, na quinta-feira, a Igreja coloca a festa de Corpus Christi. E continuando, na semana logo a seguir, no caso esta em que estamos, na sexta-feira, a Igreja coloca a festa do Sagrado Coração de Jesus.
Recapitulando: dois domingos, com duas verdades substantivas, Pentecostes e Trindade. Em seguida, duas semanas, com festas simbólicas: Corpus Christi e Coração de Jesus.
Entendendo a intenção da Igreja: aquele amor infinito, que Deus foi revelando por Cristo e pela vinda do Espírito, explica por que Cristo chegou ao ponto de dar seu próprio corpo e sangue para o resgate da multidão. Porque estava impregnado de amor divino, que excede todo entendimento, mas que podemos expressar pelo símbolo humano do coração.
Tudo isto revestido de uma verdade teológica central e decisiva: Deus se encarnou, assumiu forma humana, veio habitar em nossa natureza, para humanamente poder expressar o seu amor divino, e assim torná-lo não só acessível a nós, mas nos possibilitando vivê-lo também nós, ajudados por seu Espírito, e iluminados por seu exemplo.
Este o sentido desta sequência de celebrações, que culmina nesta sexta-feira com a festa do Sagrado Coração de Jesus, o coração que se tornou símbolo do amor infinito de Deus.